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quarta-feira, 29 de julho de 2009

Silly Season

No país do magalhães, talvez devido à sua vertente de descobridor do mundo, adoptam-se algumas expressões estrangeiras como se fossem suas. Uma delas, e talvez a minha preferida é a silly season. Ainda me lembro dos dias em que essa expressão era restricta ao mundo futebolistico onde eram discutidas as contratações mais mirambulantes e aproveitava-se para espetar umas farpas nos clubes rivais. Hoje esta espressão refinou-se.

Depois de ter que passar 90% do tempo a ler jornais sobre as contratações que não existiram, supostos jogadores roubados sempre no mesmo sentido (que curioso que o contrário nunca é reportado), passa a haver uma suposta "guerra" entre o Sport Lisboa e Benfica e a TVI, e os jornais controlados pelo grupo cofina, como não sou consumidor de nenhum dos três visados (TVI, Correio da Manhã e Record) não choro minimamente por isto, contudo espero que quem esteja à frente dos destinos do SLB perceba que ha perigos graves em atazanar os principais orgãos de comunicação social. Aqui se nota uma evolução da silly season em que se assume que o futebol ja sai do seu espectro e começa a meter-se com outras àreas da nossa vida.

Este contágio de sillyness é que é preocupante.

De repente H1N1 passou a ser algo mais conhecido que o nome oficial da 1ª divisão, bastante mais preocupante do que tudo o que se está a passar na economia e causadora uma histeria colectiva reconfortante e controladora como ja não tinhamos à muito tempo. A classe politica e económica agradecem.

E no meio de tudo isto usam-se medicamentos em hospitais que causa cegueira aos pacientes, Socrates e Ferreira Leite picam-se sem chegar a lado nenhum, os candidatos autarquicos da capital começam o seu fogo cruzado e a banda passa.

Mas o que importa é que o Futebol la está como uma boa panacea para nos esquecer-mos de tudo isto. Frases como "Eu acredito em Jesus", para gaúdio da igreja católica, começaram a ser utilizadas por benfiquistas a torto e a direito, com alguma razão pelo futebol inspirado que temos visto e os novos craques se apresentam.


Ás vezes parece-me que em vez de uma silly season temos é um silly country.

terça-feira, 30 de junho de 2009

E agora o momento da clubite aguda!

Em todos os países ha determinadas características que acabam por definir as pessoas que o habitam, por exemplo, se eu falar de séries de televisão de humor e a capacidade de transformar qualquer iguaria gastronómica em algo que sabe a nada já sabem à partida a que nação insular me Uma das grandes prendas à humanidade desta nação é o futebol, talvez não nos moldes que se praticam hoje em dia, mas isso é outra discussão que nada interessa agora.
No País do Magalhães este desporto (talvez por dar jeito aos políticos que sempre viram nele um escape do povo à vida quotidiana) está enraizado na sua cultura e na forma de estar no dia a dia.
Na sua capital está aquele que (quer queiram quer não, ou quer concordem quer não) é o maior clube do País do Magalhães, o Sport Lisboa e Benfica. E para grande deleite dos seus sócios, entre os quais me incluo-o desde Abril deste ano.
Devo confessar que só recentemente decidi escrever sobre este tema, até porque sendo um Clube que realmente espelha a complexidade do país onde se insere, nada é simples nestas eleições.
O processo começa ainda estavam a ser jogadas as ultimas jornadas de um campeonato frustrante por várias razões que nada interessam, com um agora candidato de seu nome Bruno Carvalho a pedir aos céus através do seu blog eleições antecipadas.
A actual direcção de Luis Filipe Vieira resolveu aceder ao seu pedido depois do término do campeonato.
Depois de muito se falar, de haverem movimentos que se mostraram no mínimo inconsequentes o dia em que terminava o prazo para entrega de candidaturas houve três entregas: Luis Filipe Vieira, Bruno Carvalho e Carlos Quaresma que cedo foi recusado por a sua candidatura não cumprir com os mínimos estabelecidos.
Aqui ha três sentidos de voto possíveis.
O voto em branco, em que não acredito. Se as pessoas estão insatisfeitas não é através do voto em branco que conseguem demonstrar o seu contentamento.
O voto em Bruno Carvalho. Em quem eu pensei em votar quando começou este tumulto todo mas, que à semelhança de muitos políticos, cada vez que abre a boca ou tenta ter alguma acção de campanha é uma desgraça. Para além de duas boas ideais, também conhecidas como a da bancada só para sócios e a do provedor do sócio, só faz uma colagem a um certo clube do norte no qual eu não me revejo minimamente e um chorrilho de lugares comuns, como a necessidade da renovação com Nuno Gomes.
O voto em Luis Filipe Vieira. Devo dizer que nas minhas contas começou muito mal a sua campanha. Não gostei do despedimento de Quique Flores, da novela toda com Jorge Jesus, até à própria marcação de eleições antecipadas. Contudo com o progredir da campanha cheguei à conclusão que Luis Filipe Vieira fez a melhor campanha de sempre das eleições do Benfica, ficando mais ou menos calado e gerindo o Clube para o qual tem um mandato ainda vigente. Resumindo fez muito pouca campanha e teve mais acção. (já imaginaram se os politicos do nosso País do Magalhães resolvessem fazer isto?)

Ora se eu estava com algumas duvidas sobre o meu sentido de voto com as declarações recentes de Bruno Carvalho elas dissiparam-se imediatamente. Então não é que depois de pedir repetidamente eleições antecipadas vem dizer que Luis Filipe Vieira não se pode exactamente por ter convocado eleições antecipadas??? Isto para mim é no mínimo uma demonstração de falta de caracter e uma desonestidade intelectual a toda a prova.

Tenho de reconhecer o trabalho efectuado por Luis Filipe Vieira e a sua direcção, conseguiram fazer muito com uma herança (prefiro a palavra inglesa legacy) pesada e dificil de resolver, mas não deixo de ter alguma pena que a minha decisão acabe por ser feita através do demérito da alternativa, especialmente pela falta de ideias e incoerência demonstrada em mais ou menos um mês.

Sexta-feira lá estarei.